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segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Segredo da Fonte Queimada


O segundo romance de Manuel Cardoso transporta-nos até ao Portugal do séc. XVIII, mais precisamente até à rica biblioteca de Eduardo, um velho capitão solitário. Ali encontra-se um raro livro, Aquilegio Medicinal, escrito por Francisco da Fonseca Rodrigues, médico de D. João V. O livro sempre exerceu um enorme fascínio em Eduardo e chegaria, por fim, às mãos do seu sobrinho. Os segredos que encerra, sobre as fontes e as águas de Portugal prometem fixar o leitor a esta trama à portuguesa. De discurso elegante, a leitura de “O Segredo da Fonte Queimada” poderá ser mais ou menos rápida, consoante o tempo que o leitor tenha para dedicar a esta deliciosa história. Uma atenção especial foi, sem dúvida, dedicada pelo autor ao rigor histórico que, em conjunto com o seu estilo fluido, nos transportam para lugares e tempos idos. Pela “Sopa de Letras”, esta é mais uma proposta a ter em conta.

sábado, 27 de dezembro de 2008

O Último Navegador


O primeiro romance de Virgílio Castelo transporta-nos até ao Portugal de “O Último Navegador”. Esta é a história de Benjamim, um professor de História reformado, cujo desespero e amargura o depositam num país alternativo, no ano de 2044. Um país e uma época onde a lamúria e o descontentamento deixaram de ter lugar. Após uma guerra civil sangrenta, o país teria renascido numa monarquia moderna e abraçado a prosperidade e o crescimento. Acabar-se-iam as crises e haveria uma nova capital, Lusitânia. A Rosa, uma psiquiatra de formação e convicção, acompanhará o caso de Benjamin, o desgosto que este sofreu pelo amor de Mariana, pelo suicídio do seu irmão e pela acusação de um crime que não cometeu. O que a confunde, fazendo-a duvidar da sua ciência e da razão, é o facto de Benjamim dizer viver num futuro a mais de três décadas de distância. Rosa ver-se-á envolvida nos meandros do seu drama a todos os níveis. Esta obra da Esfera dos Livros surpreende pela forma como nos leva a pensar e a sonhar o futuro do nosso Portugal. Uma boa leitura para as noites frias de Novembro.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Campoamor


Esta recente publicação da Campo das Letras Editores, prefaciada por Urbano Tavares Rodrigues e comentada por Baptista-Bastos, destaca-se pela inovação com que coloca a realidade como objecto de ficção. Trata-se um romance mágico do escritor Hugo Santos. Em “Campoamor” encontramos a história de uma vila alentejana, branca e lenta como só elas o são. Repleta de amores e desejos, ambições e desilusões, intrigas e dramas, as páginas sucedem-se numa leitura fácil mas de perder o fôlego. Deixar-se seduzir por “uma história de encornados, encornadores e pássaros avisadores”, tão familiar a muitos de nós. Será certamente um prazer. Permitir-nos-á colocar em questão os nossos próprios valores e determinadas crenças familiares e sociais. A forma peculiar de Hugo Santos escrever e até de pontuar e a sua estrutura verbal cuidada reservam seguramente ao autor, um lugar de sucesso no campo da literatura portuguesa. Foi uma boa surpresa!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Cozinheiro do Rei D. João VI


Pela mão da Esfera dos Livros, o prestigiado chefe de cozinha Hélio Loureiro, conhecido pelo trabalho desenvolvido no Porto Palácio Hotel, pelo programa “Gostos e Sabores” da RTP-N e colaboração com revistas da especialidade, estreia-se agora enquanto romancista com “O Cozinheiro do Rei D. João VI”. Mais uma vez, o período das invasões francesas em Portugal, a fuga da corte para o Brasil e o início do regime liberal servem de pano de fundo para uma história onde os ingredientes, aromas e temperos se misturam com as intrigas da corte. António Vale das Rosas servirá a D. João VI as mais belas e requintadas iguarias, desde entradas e sopas, doces e carnes, conquistando assim o apreço e consideração do rei. A certa altura, o protagonista será confrontado com uma verdadeira teoria da conspiração, ficando nas suas mãos o destino do país e do seu rei e amigo. Entrecortadas com a história, surgem deliciosas receitas que irão certamente aliciar o leitor a tentar a sua sorte no mundo da cozinha e a sentir-se um verdadeiro rei…

Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa


A editora Campo das Letras reúne nesta obra a selecção pessoal do escritor Eugénio de Andrade no que respeita à poesia portuguesa. Desde o século XIII à actualidade, muitos são os nomes e textos eleitos. De Dom Dinis a Gil Vicente, de Bernardim Ribeiro a Camões, passando por Bocage, Antero de Quental, Cesário Verde, e pelo grande e único Fernando Pessoa. Já mais perto dos nossos dias, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, Carlos de Oliveira, Cesariny, António Ramos Rosa, Herberto Helder e Ruy Belo, entre outros, são alguns dos poetas que marcam presença nesta recolha de Eugénio de Andrade. Esta “Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa” pode constituir para os leitores e apreciadores do género um ponto de referência, onde se podem ler ou reler as palavras que construíram a nossa identidade e património literário. De notar que se trata de uma encadernação de capa dura e de grande qualidade, merecedora de fazer parte de qualquer biblioteca que se preze.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Os Retornados – Um Amor Nunca Se Esquece


“Os Retornados – Um Amor Nunca Se Esquece” é o romance de estreia de Júlio Magalhães, publicado pela Esfera dos Livros. Trata-se de um regresso à sua terra natal, Angola, onde o autor terá vivido os melhores anos da sua vida. O leitor é conduzido através de uma história de amor que tem como pano de fundo a descolonização portuguesa dos países africanos. Em Outubro de 1975, Carlos Jorge, o protagonista, acompanhado pela sua mulher e filhos, deixa para trás parte da sua vida, rumo a um país que não via como a sua pátria e que seria completamente desconhecido para os seus filhos. A família de Carlos Jorge foi apenas uma dos milhares de famílias que entre 1974 e 1975 fizeram a ponte aérea entre Angola e Portugal. Foram inúmeros os portugueses que tiveram de abandonar tudo, desde as casas, o emprego e até os amigos. Tinham de fugir à violência, à luta entre os vários movimentos independentistas que espalhariam o caos e o terror em Angola, aquele que sempre fora considerado como a jóia do império português. Esta dura realidade espanta Joana, a hospedeira que não conseguiu esquecer o olhar determinado de Carlos Jorge durante a viagem para Portugal. A história dos dois não ficaria por ali…

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quando o Sol se põe em Machu Pichu


Luís Novais, o autor de “Quando o Sol se põe em Machu Pichu”, é um jovem e prometedor romancista no actual panorama literário português. A sua linguagem, sincopada mas simultaneamente visual, é capaz de aproximar a acção descrita com a reflexão das próprias personagens. E a aventura que o espera poderá vir a devolver-lhes a capacidade de sonhar, algo que há muito julgavam perdido e que todos nós, no mundo ocidental que habitamos, há muito deixámos de alimentar. Um grupo de pessoas parte numa expedição até à cidadela de Machu Pichu. O sonho de um deles é encontrar uma cidade perdida nos Andes, que se diz ficar dentro de uma montanha. Em destaque aparece um famoso disco solar em ouro maciço, procurado desde os tempos do colonizador Pizarro e nunca encontrado. A demanda devolverá aos intervenientes a capacidade de sonhar e, consequentemente, a força para agir e assim, em última instância, resistir à barbárie em que o mundo actual se tornou. Mais do que uma aventura de viagens, esta história, publicada pela Esfera do Caos, atinge o patamar do romance filosófico, apresentando uma reflexão sobre o nosso próprio percurso civilizacional.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Montparnasse – Até ao Esgotamento das Horas


O excesso da década de 60 em Paris serve de mote a Vasco de Castro para a construção do romance “Montparnasse – Até ao Esgotamento da Horas”. Forçado ao exílio na capital francesa entre 1961 e 1974, aí colaborou como desenhador satírico em vários títulos da imprensa francesa. Foi também aí que fundou uma editora e várias publicações políticas de esquerda. Na primeira pessoa, Vasco de Castro descreve as experiências excessivas de um lugar e época únicos: Montparnasse nos anos 60. Para além dos rigores a que o exílio o votara, o que mais fascina nesta obra é o clima de festa permanente que a perpassa. Pessoas de origens e interesses múltiplos, sedes e associações pitorescas, reuniões e discussões políticas pela noite dentro, até que as horas se esgotassem. Mesmo para quem não viveu todas estas experiências na Paris da década de 60, este documento trazido até nós pela Campo das Letras consegue transportar-nos com rigor para o centro de um mundo frenético, para o centro do verdadeiro mundo até ao inevitável regresso a Portugal.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Joaninha, A Menina Que Não Queria Ser Gente


Escrita por Ana Cristina Leonardo e ilustrada por Álvaro Rosendo, a história de “Joaninha, a Menina Que Não Queria Ser Gente” destina-se a todas as crianças reticentes em aceitar o seu próprio crescimento. Joaninha mora com os pais e com o seu cão, Pata Branca. Prestes a completar sete anos de idade, Joaninha decide que não que fazer anos. “Mas toda a gente faz anos!”, respondeu-lhe a mãe. “Então eu não quero ser gente”, replicou Joaninha. Mal sabia ela que, ao proferir estas palavras, se transformaria automaticamente num peixe! Seguiram-se uma série de outras transformações: gata, árvore, pássaro, pedra e, finalmente, lá voltou a ser simplesmente… Joaninha! Descobriu que não poderia evitar a sua festa do sétimo aniversário, assim como é impossível de parar a força da gravidade quando se cai e as saudades de tudo o que se gosta. A nota de humor é dada pela participação especial de Pata Branca nos comentários à parte.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O Sétimo Selo


O quinto romance de José Rodrigues dos Santos, conhecido jornalista da RTP, vai já na 9.ª edição em apenas três meses. Para os seguidores da escrita deste autor, este é o regresso aos temas da actualidade. A preocupação com o planeta em que vivemos, a sobrevivência da humanidade, o abastecimento energético e o desenvolvimento sustentável constituem os principais catalisadores de uma história de mistério passada entre a Antárctida, a Sibéria, a Austrália e Portugal. Caberá novamente a Tomás Noronha investigar a morte de um cientista e o misterioso rabisco encontrado junto ao cadáver pelo criminoso onde se lia apenas o número 666, o número da besta. Esta obra, publicada pela Gradiva, resulta de uma investigação científica rigorosa levada a cabo pelo autor. Todas as informações históricas, técnicas e científicas referidas no romance são verdadeiras e estão actualizadas. “O Sétimo Selo” é uma obra valorosa pela trama mas, simultaneamente, pela função cívica que desempenha, podendo mesmo vir a abalar o modo como cada um de nós vê o futuro da humanidade e do próprio planeta Terra.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O Cerco


“O Cerco”, da autoria da britânica Helen Dunmore, nomeado para os prémios Whitbread Novel Award e Orange Prize for Fiction, conta-nos uma história de guerra do ponto de vista do coração dos seus protagonistas, a família Ilyich. Durante a II Guerra Mundial, os alemães cercaram a cidade de Leninegrado, condenando muitos dos seus habitantes à morte devido à falta de comida, água, abastecimentos de energia. Assim, a população será conduzida a um torpor que contribuirá para a formação de uma nova mentalidade regida pela luta e pela sobrevivência. Por todos estes momentos de angústia, passará a heroína do romance, Anna, filha de Mikhail Ilyich, tradutor e escritor, que vê cada vez mais os seus trabalhos serem censurados devido às circunstâncias políticas. Após a morte da mãe, aquando do nascimento do irmão Kolya, Anna vê a sua vida mudar radicalmente, pois não poderá terminar os estudos para ir trabalhar para uma creche e tomar conta do irmão. De elogiar ainda a referência a vários poetas russos e a apresentação de vários trechos de poesia que retratam o país e ajudam a construir as personagens. “O Cerco” foi recentemente publicado pela editora Campo das Letras.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O Codex 632


O terceiro livro de José Rodrigues dos Santos, conceituado jornalista da RTP, foi, sem dúvida, o que maior sucesso alcançou até ao momento. Em cerca de dois anos, “O Codex 632”, publicado pela Gradiva, vai já na sua 26.ª edição, com mais de 145 000 exemplares vendidos. A história, repleta de enigmas e mistérios, ricamente descrita e engenhosamente construída, tem tudo para prender o leitor da primeira à última página. Com inúmeras referências a livros, documentos e manuscritos verídicos, as tentativas de descodificação de uma misteriosa mensagem levam Tomás Noronha, historiador, a cruzar-se com um dos mais discutidos assuntos da época dos Descobrimentos. A identidade e missão de Cristóvão Colombo poderão ser finalmente desvendadas nesta história de aventura e mito onde a realidade e a ilusão se cruzam demasiadas vezes, teimando em esconder a verdade. Afinal, o que significam as três palavras que Martinho Toscano deixou nos seus papéis antes de morrer? Para quem ainda não leu, trata-se de um romance a não perder!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Eça Agora


Sete autores escreveram a catorze mãos uma crónica de costumes dos tempos modernos onde apenas o espírito de Eça de Queiroz poderia vir a impor alguma moderação em certas situações. Em “Eça Agora”, uma das últimas publicações da Oficina do Livro, Alice Vieira, João Aguiar, José Fanha, José Jorge Letria, Luísa Beltrão, Mário Zambujal e Rosa Lobato de Faria, constróem uma trama paralela à de “Os Maias”, adaptando à contemporaneidade as personagens criadas por Eça. Trata-se de uma tentativa de ver a sociedade actual através do olhar crítico de um dos autores mais marcantes da literatura portuguesa. Repleto de episódios e situações divertidas, esta não foi uma tarefa fácil para os autores que, decerto, muito se esforçaram por tentar imitar a visão risonha, e simultaneamente séria, que Eça de Queiroz veiculou. Terá valido a pena o esforço, sem dúvida! Avizinham-se bons e saudáveis momentos com esta obra, o que poderá, em última instância, motivar a leitura dos eternos clássicos do verdadeiro Eça…

A Filha da Abortadeira


Este é o quarto romance da escritora americana Elisabeth Hyde, que chega até nós pela mão da editora Guerra e Paz. O aborto, assunto amplamente discutido (e discutível) no nosso país nos últimos tempos, assume-se como tema central desta história que se tornou, nos últimos tempos, num verdadeiro sucesso internacional. O enredo, os seus principais acontecimentos e as posições assumidas pelas personagens irão certamente desafiar as convicções e crenças pessoais do leitor. A história desenvolve-se em redor e a partir da morte de Diana Duprey, uma médica que praticava abortos. Devido a esta actividade, a sua pessoa suscitava sentimentos extremos por parte dos que a rodeavam. Desde os que apoiavam incondicionalmente aos que repudiavam a sua forma de vida e modo de pensar, todos, inclusive a família, passarão a ser suspeitos da sua estranha morte. O desenrolar da história e das investigações mostrarão como as concepções sobre a sociedade em que nos movimentamos, o amor e até a fidelidade podem ser postos em causa.