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segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Segredo da Fonte Queimada


O segundo romance de Manuel Cardoso transporta-nos até ao Portugal do séc. XVIII, mais precisamente até à rica biblioteca de Eduardo, um velho capitão solitário. Ali encontra-se um raro livro, Aquilegio Medicinal, escrito por Francisco da Fonseca Rodrigues, médico de D. João V. O livro sempre exerceu um enorme fascínio em Eduardo e chegaria, por fim, às mãos do seu sobrinho. Os segredos que encerra, sobre as fontes e as águas de Portugal prometem fixar o leitor a esta trama à portuguesa. De discurso elegante, a leitura de “O Segredo da Fonte Queimada” poderá ser mais ou menos rápida, consoante o tempo que o leitor tenha para dedicar a esta deliciosa história. Uma atenção especial foi, sem dúvida, dedicada pelo autor ao rigor histórico que, em conjunto com o seu estilo fluido, nos transportam para lugares e tempos idos. Pela “Sopa de Letras”, esta é mais uma proposta a ter em conta.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Agente Zigzag


Para quem não resiste a um bom romance de espionagem e intriga com a Segunda Guerra Mundial em pano de fundo, então não poderá deixar de ler “Agente Zigzag” de Ben Macintyre. A história tem como figura central Eddie Chapman, o mais sensacional agente secreto do serviço de segurança britânico MI5. O autor, e simultaneamente editor do jornal The Times, levou a cabo um aturado trabalho de pesquisa sobre aquele que ficaria conhecido como Agente Zigzag. Os ficheiros descobertos revelaram uma descrição meticulosa da personalidade deste herói/espião. Onde terminava o vilão e começava o herói ou onde o amante dava lugar ao traidor, foi sempre o quebra-cabeças das suas mulheres, dos seus chefes e de si próprio. A obra de Macintyre é ainda enriquecida pelas fotografias reproduzidas nas páginas centrais e pelo apêndice, notas finais e índice remissivo de impressionante detalhe.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O Jogo do Anjo


Quem leu “A Sombra do Vento” não irá querer decerto perder “O Jogo do Anjo”, pelo mesmo autor, Carlos Ruiz Zafón, um dos autores mais lidos e reconhecidos de todo o mundo. Os ecos do seu primeiro romance para adultos são perfeitamente audíveis nesta história. No entanto, tal não diminui esta obra, muito pelo contrário, vem confirmar a maestria do autor em transportar o seu leitor para a Barcelona dos anos 20, do Cemitério dos Livros Esquecidos, para um mundo de certezas e ilusões, onde a paixão pelos livros, pelo prazer de escrever e ler comandam a personagem principal e o enredo. As propostas de trabalho vão surgindo na vida de David Martín, tornando-se cada vez mais altas e sérias. Esta é uma aventura de intriga, romance e tragédia onde se conjuram segredos, paixão e amizade. No centro desta narrativa que, no mínimo, deslumbra, está sempre o fascínio pelos livros. Imperdível, esta obra magistral editada pelas Publicações Dom Quixote.

Quando Dom Quixote Moreu


Vencedor do Melhor Romance do Ano em Espanha, “Quando Dom Quixote Morreu”, de Andrés Trapiello, tem início precisamente no momento em que a vida de Dom Quixote se extingue. A sua história havia chegado ao fim, mas outras continuavam. A jovem sobrinha, a ama fiel, Sancho Pança, Dulcineia, os duques de Ginés de Passamonte ou o bacharel Sansão Carrasco são apenas alguns dos que ficariam para sempre marcados pela personalidade humana e simultaneamente louca de Dom Quixote. Serão eles os protagonistas deste romance publicado pela Saída de Emergência. Trata-se de uma história apaixonante que junta ironia e intriga à perícia literária do autor. Maravilhoso, raro e belo são apenas alguns dos adjectivos utilizados pela imprensa espanhola para descrever este livro. Merece a atenção de uma leitura minuciosa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Sonho do Taj Mahal


“O Sonho do Taj Mahal” fala da “história da construção da mais esplêndida prova de amor de todos os tempos”, como se pode ler na capa do romance. Christian Petit, numa escrita visual e dramatizada, conta como a cidade de Agrá, na Índia, testemunhou, na primeira metade do século XVII, a construção do Taj Mahal. Para além da história da construção de um dos monumentos mais belos do mundo, o leitor terá a possibilidade de conhecer a magnanimidade da civilização que o concebeu e concretizou. Tudo isto é contado num romance inebriante, numa história de aventuras inesquecíveis, onde os jogos de poder da corte se misturam com os jogos de prazer. De perto, assiste Agustin Hiriart que, depois de se aproximar da família real se vê envolvido na construção do mausoléu da imperatriz Mumtaz Mahal, a mando de Sha Jahan, seu marido e imperador da Índia. Pela Saída de Emergência surge, assim, mais um livro apaixonante.

O Processo de Adão Pollo



Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2008, Le Clézio escrevera em 1963 “O Processo de Adão Pollo”, conquistando de imediato o Prémio Renaudot. Para o autor, “escrever e comunicar é ser capaz de fazer acreditar não importa o quê a não importa quem”. Nesta obra, utiliza um tema intencionalmente débil e abstracto. Conta-se a história de um homem, Adão Pollo, o primeiro e o último, como o nome indica, mas a um só tempo. Aquele que não sabia se acabara de sair do Exército ou de um asilo psiquiátrico. Aquele cuja loucura ou ânsia por uma experiência extrema o isolam dos outros. Desde a sua ligação a uma jovem no espaço de uma casa abandonada às suas transformações animais, materiais e incognoscíveis, tudo contribuirá para que seja considerado louco. Entre na obra de Le Clézio através deste Romance-Paciência publicado pela Europa-América.

Orgulho Asteca


Este é o primeiro de um conjunto de dois volumes que completam o mais fantástico romance histórico alguma vez escrito sobre a civilização Asteca. O autor, Gary Jennings, viveu no México durante doze anos, dedicando-se exclusivamente à investigação que lhe permitiu construir “Orgulho Asteca”, publicado em Portugal pela Saída de Emergência. No centro do romance, encontra-se a figura de Mixtli – Nuvem Escura -, um ancião procurado pelo bispo do México para relatar detalhadamente toda a sua vida, o que iria ao encontro da história do próprio povo Asteca. Tratar-se de um relato épico e heróico que perpassa o início, o auge e a queda de toda uma civilização. O testemunho de Mixtli prometia chocar todos os preconceitos europeus, desde a sua infância, as leis e costumes do povo, à vivência do sexo e da religião, passando por viagens e aventuras amorosas. O choque civilizacional revelava-se inevitável. Com a sua escrita extremamente visual, contagiante e colorida, o autor consegue fazer renascer um império, mesmo depois de Hernán Cortés quase o ter conseguido extinguir.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Pavana


Considerado por Anthony Burgess como “um dos melhores romances ingleses do século XX”, “Pavana” conta a história de uma Inglaterra onde o avanço científico deixou de ter lugar. Em 1558, uma Armada Invencível conquistou o país após o assassinato da Rainha Isabel I. Tal acontecimento viria a alterar a História da Europa e do Mundo para sempre. Já no século XX, quem reina é a Igreja Católica. A Inglaterra, essa, encontra-se transformada num lugar de elevada beleza pastoral, onde toda e qualquer tecnologia não passou dos tempos da locomotiva a vapor. No entanto, esta situação não poderá continuar eternamente. Os defensores da tecnologia estão cada vez mais decididos a fazê-la prevalecer e a revolução aproxima-se a passos largos, ameaçando as fundações de toda a nação. A veracidade conferida ao texto de Keith Roberts é tal que a história se torna real e impossível de pôr de lado. Publicado pela Saída de Emergência, esta é uma narrativa de significado ulteriormente lírico que, apesar da complexidade, é fácil de sentir e de explicar. Para o mestre da literatura fantástica da actualidade, George R. R. Martin, “nenhuma história dos últimos trinta anos se aproxima sequer de Pavana”.

O Último Navegador


O primeiro romance de Virgílio Castelo transporta-nos até ao Portugal de “O Último Navegador”. Esta é a história de Benjamim, um professor de História reformado, cujo desespero e amargura o depositam num país alternativo, no ano de 2044. Um país e uma época onde a lamúria e o descontentamento deixaram de ter lugar. Após uma guerra civil sangrenta, o país teria renascido numa monarquia moderna e abraçado a prosperidade e o crescimento. Acabar-se-iam as crises e haveria uma nova capital, Lusitânia. A Rosa, uma psiquiatra de formação e convicção, acompanhará o caso de Benjamin, o desgosto que este sofreu pelo amor de Mariana, pelo suicídio do seu irmão e pela acusação de um crime que não cometeu. O que a confunde, fazendo-a duvidar da sua ciência e da razão, é o facto de Benjamim dizer viver num futuro a mais de três décadas de distância. Rosa ver-se-á envolvida nos meandros do seu drama a todos os níveis. Esta obra da Esfera dos Livros surpreende pela forma como nos leva a pensar e a sonhar o futuro do nosso Portugal. Uma boa leitura para as noites frias de Novembro.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Campoamor


Esta recente publicação da Campo das Letras Editores, prefaciada por Urbano Tavares Rodrigues e comentada por Baptista-Bastos, destaca-se pela inovação com que coloca a realidade como objecto de ficção. Trata-se um romance mágico do escritor Hugo Santos. Em “Campoamor” encontramos a história de uma vila alentejana, branca e lenta como só elas o são. Repleta de amores e desejos, ambições e desilusões, intrigas e dramas, as páginas sucedem-se numa leitura fácil mas de perder o fôlego. Deixar-se seduzir por “uma história de encornados, encornadores e pássaros avisadores”, tão familiar a muitos de nós. Será certamente um prazer. Permitir-nos-á colocar em questão os nossos próprios valores e determinadas crenças familiares e sociais. A forma peculiar de Hugo Santos escrever e até de pontuar e a sua estrutura verbal cuidada reservam seguramente ao autor, um lugar de sucesso no campo da literatura portuguesa. Foi uma boa surpresa!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Jogo de Mãos


Nora Roberts é uma das escritoras românticas mais lidas da actualidade. As suas histórias continuam a não desiludir o seu público e este será certamente o caso de “Jogo de Mãos”, publicado pelas Edições Chá das Cinco. Mergulhe nesta história emocionante, passada no mundo da magia e da ilusão. A estas, juntam-se o mais puro dos sentimentos, o amor, e as mais cruéis das atitudes: a chantagem e a vingança. Acompanhe o crescimento do clã Nouvelle, os seus espectáculos de magia, a sua compaixão pelos mais fracos e luta pela unidade familiar. Mas também as suas apostas arriscadas após os espectáculos onde a habilidade de mãos e coordenação assumem um papel decisivo. O elo que une todas as personagens e todos os mundos, do espectáculo à política, será a história de amor entre Roxanne e Luke, cão e gato em crianças, companheiros indivisíveis em adultos. O homem e mágico fabuloso em que Luke se tornara, após ter sido recolhido pela família Nouvelle aos doze anos, não conseguirá, no entanto, impedir que o seu passado o volte a perseguir. Ver-se-á obrigado a desaparecer, regressando anos depois para cumprir, finalmente, o seu destino, ser feliz…

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O Turno do Escriba


Vencedor do Prémio Alfaguara 2005, um dos maiores galardões atribuídos a obras em língua castelhana, “O Turno do Escriba” chega ao público português pela editora Campo das Letras. As autoras, Graciela Montes e Ema Wolf, naturais de Buenos Aires, recuperaram a história de Rustichello de Pisa, escrivão das mais importantes casas europeias do século XIII. Quase quinze anos depois de ter sido feito prisioneiro de guerra pelos genoveses, Rustichello ganha na prisão a companhia do grande Marco Polo. Encontra, assim, uma nova forma de viver o seu destino cruel. Começa a redigir os fantásticos relatos do seu novo companheiro, que dariam origem ao “Livro das Maravilhas do Mundo”. Esta obra secreta permite a Rutichello reviver, para lá dos muros da prisão, as aventuras de Marco Polo. O acto da escrita surge como meio para atingir a liberdade e voar para lá das limitações da sua cela. Esta é uma história para todos os que valorizam o acto de escrita como uma preocupação, uma procura de explicações e razões para chegar ao conhecimento.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A Grande Arte


Rubem Fonseca tem desempenhado um papel fulcral na valorização da literatura brasileira em todo o mundo. Com “A Grande Arte”, publicada pela Campo das Letras, voltamos a ter a oportunidade de ler uma história sem pressas ou atropelos, uma autêntica paródia aos romances policiais de outrora. Aqui assistimos ao processo de decadência da grande metrópole que é a cidade do Rio de Janeiro. Nesta trama policial, reencontramos Mandrake, personagem inesquecível da literatura brasileira. O advogado percorrerá a cidade na sombra, investigando os misteriosos crimes perpetrados contra prostitutas, a quem é deixada sempre a mesma marca peculiar: a letra P inscrita no rosto. Na obra, o desejo sexual e todas as coisas que dão prazer não merecem sequer ser questionados pelo criminoso. Caberá a Mandrake investigar a única pista que aquele deixa para trás, a sua caligrafia macabra, desenhada a bisturi feito de material de alta qualidade. Nesta narrativa ímpar e de precisão, o leitor poderá assumir o seu próprio papel nesta investigação. Basta que ouça com atenção todas as personagens…

O Despertar da Magia


A literatura fantástica é para muitos a opção de leitura para as férias de Verão. Para quem já conhece os primeiros três volumes das Crónicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, nomeadamente “A Guerra dos Tronos”, “A Muralha de Gelo” e “A Fúria dos Reis”, pela Saída de Emergência, “O Despertar da Magia” é a continuação da saga da guerra pelos Sete Reinos, da qual o leitor assíduo não deverá querer perder pitada. Da primeira à última página, o autor consegue, uma vez mais, que nos agarremos à história e entremos nela com o mesmo espírito lutador e combativo das personagens Arya, Sansa, Robb ou Daenerys. Desde os pormenores de descrição da batalha pela capital de Porto Real, ao ataque das fortalezas no Norte, passando pela conquista do castelo de Winterfell, não faltará também o conflito humano entre honra, morte e traição. Em suma, trata-se de uma batalha de peso entre o amor e o ódio que invadirá também o coração do leitor. Pessoalmente, ultrapassa até o génio da literatura fantástica (Tolkien), na capacidade de manipulação do leitor e das suas expectativas em relação à evolução da história. É de perder o sono!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Felicidade Mora ao Lado


Jill Mansell desde há muito que habituou os seus leitores a histórias românticas com personagens bem construídas e encantadoras. “A Felicidade Mora ao Lado” não foge à regra e revelou-se um prazer de leitura desde a primeira à última página, impossível de colocar de lado. A história tem início com o estranho presente de Natal de Nancy, um cortador de relva, oferecido pelo seu marido… Afinal, o recibo de uma jóia que encontrara no bolso dele não garantiu que a jóia fosse para si. Surpreendida e confusa com os súbitos acontecimentos, Nancy parte para Londres a convite da sua amiga Carmen que, desde a morte do seu marido, se sentia bastante sozinha. Ambas irão despertar para duas novas vidas e descobrir que ainda vale a pena sonhar e lutar pela felicidade. Nancy suspira ao lado de Connor O’Shea, enquanto Carmen sente arrepios perto de Joe. Pena que por trás de todo o charme de Joe, se esconda uma personalidade obscura e segredos perigosos. As Edições Chá das Cinco trazem até nós uma fantástica leitura para este Verão, sempre com sexto sentido.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O Cozinheiro do Rei D. João VI


Pela mão da Esfera dos Livros, o prestigiado chefe de cozinha Hélio Loureiro, conhecido pelo trabalho desenvolvido no Porto Palácio Hotel, pelo programa “Gostos e Sabores” da RTP-N e colaboração com revistas da especialidade, estreia-se agora enquanto romancista com “O Cozinheiro do Rei D. João VI”. Mais uma vez, o período das invasões francesas em Portugal, a fuga da corte para o Brasil e o início do regime liberal servem de pano de fundo para uma história onde os ingredientes, aromas e temperos se misturam com as intrigas da corte. António Vale das Rosas servirá a D. João VI as mais belas e requintadas iguarias, desde entradas e sopas, doces e carnes, conquistando assim o apreço e consideração do rei. A certa altura, o protagonista será confrontado com uma verdadeira teoria da conspiração, ficando nas suas mãos o destino do país e do seu rei e amigo. Entrecortadas com a história, surgem deliciosas receitas que irão certamente aliciar o leitor a tentar a sua sorte no mundo da cozinha e a sentir-se um verdadeiro rei…

O Meu Nome É Salma


Da colecção Contemporânea das Publicações Europa-América, o romance “O Meu Nome é Salma", da autoria de Fadia Faquir, narra a história de uma mulher muçulmana cuja honra foi violada por ter vivido a experiência do amor proibido e que foi forçada ao exílio. Por ter engravidado antes de casar, Salma vê a sua filha ser-lhe arrancada dos braços e, já de honra manchada e para sua própria protecção, é obrigada a mudar-se para a cidade sombria de Exeter, na Inglaterra. Se não o fizesse, poderia vir a ser morta pelo próprio irmão para salvar a honra da família. Apesar de se adaptar ao modo de vida ocidental, aprendendo os costumes e as maneiras dos europeus com a sua senhoria e com o seu companheiro, Salma não consegue arrancar do coração nem da lembrança o choro da sua bebé. Quando a angústia se torna insuportável, decide regressar à aldeia do Levante, para a procurar. Numa viagem de tudo ou nada, desafiando um destino há muito traçado, Salma reunirá todas as suas forças e coragem tendo em vista um único fim. Uma história tão intemporal como os próprios sentimentos de amor e o ódio.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Os Retornados – Um Amor Nunca Se Esquece


“Os Retornados – Um Amor Nunca Se Esquece” é o romance de estreia de Júlio Magalhães, publicado pela Esfera dos Livros. Trata-se de um regresso à sua terra natal, Angola, onde o autor terá vivido os melhores anos da sua vida. O leitor é conduzido através de uma história de amor que tem como pano de fundo a descolonização portuguesa dos países africanos. Em Outubro de 1975, Carlos Jorge, o protagonista, acompanhado pela sua mulher e filhos, deixa para trás parte da sua vida, rumo a um país que não via como a sua pátria e que seria completamente desconhecido para os seus filhos. A família de Carlos Jorge foi apenas uma dos milhares de famílias que entre 1974 e 1975 fizeram a ponte aérea entre Angola e Portugal. Foram inúmeros os portugueses que tiveram de abandonar tudo, desde as casas, o emprego e até os amigos. Tinham de fugir à violência, à luta entre os vários movimentos independentistas que espalhariam o caos e o terror em Angola, aquele que sempre fora considerado como a jóia do império português. Esta dura realidade espanta Joana, a hospedeira que não conseguiu esquecer o olhar determinado de Carlos Jorge durante a viagem para Portugal. A história dos dois não ficaria por ali…

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quando o Sol se põe em Machu Pichu


Luís Novais, o autor de “Quando o Sol se põe em Machu Pichu”, é um jovem e prometedor romancista no actual panorama literário português. A sua linguagem, sincopada mas simultaneamente visual, é capaz de aproximar a acção descrita com a reflexão das próprias personagens. E a aventura que o espera poderá vir a devolver-lhes a capacidade de sonhar, algo que há muito julgavam perdido e que todos nós, no mundo ocidental que habitamos, há muito deixámos de alimentar. Um grupo de pessoas parte numa expedição até à cidadela de Machu Pichu. O sonho de um deles é encontrar uma cidade perdida nos Andes, que se diz ficar dentro de uma montanha. Em destaque aparece um famoso disco solar em ouro maciço, procurado desde os tempos do colonizador Pizarro e nunca encontrado. A demanda devolverá aos intervenientes a capacidade de sonhar e, consequentemente, a força para agir e assim, em última instância, resistir à barbárie em que o mundo actual se tornou. Mais do que uma aventura de viagens, esta história, publicada pela Esfera do Caos, atinge o patamar do romance filosófico, apresentando uma reflexão sobre o nosso próprio percurso civilizacional.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Arca Perdida da Aliança


Por muitos conhecido como o “Indiana Jones britânico”, o professor Tudor Parfitt tem dedicado toda a sua vida a encontrar tribos perdidas em lugares remotos, em expedições que vão desde a Israel à Papua Nova Guiné. Neste livro, Parfitt consegue aliar os princípios rigorosos que pautam a sua vida académica com o drama e o detalhe da sua veia de escritor. O resultado é um romance policial lúcido, hipnotizante e de excelência. Quanto ao assunto em questão, como o título indica, trata-se da história da Arca da Aliança, que se pensava perdida há mais de 2500 anos. Aquele que se pensava ser apenas um mito bíblico foi finalmente descoberto após uma aventura que ocupou cerca de 20 anos da vida de Tudor Parfitt. Com traços indiscutíveis de guia de viagens, tédio é termo que o estilo de “A Arca Perdida da Aliança” recusa liminarmente. Inegável é também o carácter controverso do lugar apontado para a localização da arca. A ilustrar esta aventura temos, na parte central, um conjunto de fotografias da expedição do autor. Ler esta obra será acompanhá-lo por todos os perigos e descobertas empolgantes. Trata-se de uma edição dos Livros d’Hoje, chancela das Publicações Dom Quixote.