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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Joaninha, A Menina Que Não Queria Ser Gente


Escrita por Ana Cristina Leonardo e ilustrada por Álvaro Rosendo, a história de “Joaninha, a Menina Que Não Queria Ser Gente” destina-se a todas as crianças reticentes em aceitar o seu próprio crescimento. Joaninha mora com os pais e com o seu cão, Pata Branca. Prestes a completar sete anos de idade, Joaninha decide que não que fazer anos. “Mas toda a gente faz anos!”, respondeu-lhe a mãe. “Então eu não quero ser gente”, replicou Joaninha. Mal sabia ela que, ao proferir estas palavras, se transformaria automaticamente num peixe! Seguiram-se uma série de outras transformações: gata, árvore, pássaro, pedra e, finalmente, lá voltou a ser simplesmente… Joaninha! Descobriu que não poderia evitar a sua festa do sétimo aniversário, assim como é impossível de parar a força da gravidade quando se cai e as saudades de tudo o que se gosta. A nota de humor é dada pela participação especial de Pata Branca nos comentários à parte.

segunda-feira, 17 de março de 2008

País (In)Sustentável


Há muito que o trabalho de Luísa Schmidt pela defesa do meio ambiente e qualidade de vida em Portugal é conhecido. Nos últimos 18 anos, manteve a coluna “Qualidade Devida” no Jornal Expresso e é a autora da série televisiva “Portugal, Um Retrato Ambiental”, entre outras publicações subordinadas à mesma temática. Numa edição da Esfera do Caos, em “País (In)Sustentável” encontramos reunidos alguns dos seus mais importantes e polémicos artigos dos últimos anos que nos mostram como o ambiente e o ordenamento são uma urgência na manutenção da qualidade de vida. São as “verdades inconvenientes” de Portugal. Os capítulos iniciais, mais generalistas, dedicam-se aos fenómenos das alterações climáticas, agricultura e transgénicos, desenvolvimento sustentável, questões de cidadania e saneamento. De seguida, são apresentadas as principais fragilidades do país e descreve-se a forma como os vários casos têm sido tratados pelas autoridades competentes. Na maioria dos casos, conclui-se que muito há ainda por fazer. Entre outros, destacam-se o caso do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, da Ria Formosa, do abate de sobreiros, da erosão das costas, da saturação do Algarve e dos programas POLIS. Um livro para todos os que querem saber e agir.

Aprender A Comer


Para os pais que vêem o momento da refeição como uma tortura e uma dor de cabeça, o livro “Aprender A Comer”, da autoria de Eduard Estivill e Montse Domènech, poderá oferecer preciosas pistas que ajudem a resolver problemas como a boca que não abre, as birras ou dissimulações de legumes entre molho e malabarismos com brinquedos. Os autores esforçaram-se por ensinar primeiro aos pais como estes devem agir e aplicar normas de comportamento, motivar as crianças e até aplicar castigos ou premiar. Posteriormente, surgem as estratégias propriamente ditas para ensinar os mais pequenos a comerem bem e de tudo. Os problemas que poderão eventualmente surgir, como vómitos, insegurança, dependência da televisão, vício em guloseimas, ciúmes e separações, são também alvo de atenção por parte dos autores. Esta obra da Livros D’Hoje (Publicações Dom Quixote), dá ainda sugestões quanto à alimentação em contexto escolar, fundamentando as explicações em exemplos práticos. O livro, cujas recomendações finais aos pais incluem doses de paciência, afecto e segurança, termina com uma história para meninos que não querem comer, da autoria de Cármen Escales.

Mozart Na Selva


A história de Blair Tidall, jornalista e oboísta norte-americana que escreve sobre música clássica para o New York Times, revela o outro lado da vida de um músico de orquestra. Desde as dificuldades enfrentadas ainda durante o período de formação, passando pelas repetidas tentativas de entrar no círculo restrito dos grandes intérpretes e pelo final de carreira sem apoios e repleto de inseguranças, o seu relato prova que nem tudo são luzes e música perfeita. Sempre presente está o sexo, que constitui muitas vezes condição de acesso ao meio, bem como o álcool e as drogas, como escape e paliativo ao alcance de qualquer um. Só assim será possível disfarçar a atenuar sofrimentos pessoais, consequência da irresponsabilidade e desorganização que imperam naquele mundo, constantemente ameaçado por governos e patrocinadores. “Mozart Na Selva – Sexo, Drogas e Música Clássica”, publicado pela Guerra e Paz, é dos livros mais implacáveis alguma vez publicados sobre a vida orquestral, pois movimenta-se entre a corrupção do poder e da carne e a beleza de uma interpretação ao vivo. As falhas são identificadas e expostas para que todos saibam afinal como é o antes e o depois de um sonho.

O Meu Primeiro Larrousse – O Nosso Planeta


Especialmente indicado para crianças entre os 5 e os 8 anos de idade, “O Meu Primeiro Larrousse – O Nosso Planeta” ajudará os mais novos a compreender melhor o planeta em que habitam. A beleza e as fragilidades da Terra são apresentadas em cinco capítulos principais: um planeta extraordinário, a história da Terra, a vida do nosso planeta, a vida na Terra e proteger a Terra. Entre muitas outras coisas, é explicada a razão de fenómenos como os vulcões e tremores de terra e são dadas estratégias para preservar o ar, a água, as florestas e os animais. A informação é exposta de forma clara e devidamente elucidada por ilustrações e pelas suas respectivas legendas. Numa edição da Campo das Letras, esta colecção conta já com os volumes “Enciclopédia”, “Lendas da Mitologia”, “Heróis”, “Como É?”, “Inglês” e “Mar”, entre outros.

quarta-feira, 12 de março de 2008

As Novas Censuras – Nos Bastidores da Manipulação da Informação


A manipulação e controlo da informação pelas forças políticas, agências de comunicação e “spin doctors” (os estrategas que gerem toda a percepção do público) constituem o tema central desta obra organizada por Paul Moreira, jornalista de investigação que criou e dirigiu no Canal+ o programa “90 Minutes”, e editada pelas Publicações Europa-América. Em “As Novas Censuras” são recuperados e expostos os meandros de casos como o do massacre de Abidjan, das valas comuns, de Timor-Leste, do terrorismo islâmico, da globalização e até da obesidade como epidemia catódica. Paul Moreira explica e apresenta os seus relatos enquanto testemunha, interveniente e, por vezes, vítima, de como muitas situações que chegaram ao conhecimento do público já vinham deturpadas e despojadas de alguns pormenores decisivos para a sua interpretação e julgamento. Tudo isto é conseguido através de técnicas variadas e requintadas que, além de esconderem a verdade, conseguem pressionar os intervenientes e controlar o seu impacto na opinião popular.

Livro Audacioso para Raparigas


Numa edição de capa dura da Guerra e Paz, este “Livro Audacioso Para Raparigas” constitui uma agradável surpresa. As autoras, Andrea Buchanan e Miriam Peskowitz, reúnem nesta obra actividades que ficaram há muito esquecidas dentro de um qualquer baú mas que ainda vão a tempo de se tornar um passatempo de sucesso entre a juventude dos nossos dias. Com ilustrações elucidativas, dicas, conselhos e muitos truques, ficará bem claro como jogar basquetebol ou às cartas, saltar à corda, aplicar golpes de karaté, utilizar expressões francesas, fazer uma fogueira, trepar às árvores, dobrar camisolas à japonesa e, espante-se, até trocar um pneu! Tudo isto, sem nunca recorrer à televisão, ao computador ou a qualquer jogo electrónico. Trata-se de uma obra que mostra aos jovens, mas também aos pais, como ainda é possível viver uma juventude saudável nos tempos livres. Na falta de ideias, as sugestões das autoras são inúmeras e variadas, mais que suficientes para ocupar qualquer jovem durante muitas e muitas horas…

A Marca das Runas


Joane Harris, autora de grandes sucessos de vendas como “Chocolate”, “Cinco Quartos de Laranja” ou “Vinho Mágico” criou em “A Marca das Runas” um universo fantástico que fará as delícias não só do público jovem mas também dos mais velhos. Neste livro mágico publicado pela Gradiva, Odin, Loki e outros deuses nórdicos ganham vida numa história imaginativa e divertida. No centro de tudo, encontramos Maddy Smith, uma criança diferente das outras que nasceu com uma marca cor de ferrugem numa das mãos. Esse símbolo que todos em Malbry, a sua aldeia de origem, crêem ser uma marca mágica, simbolizando os antigos deuses, é para todos uma ameaça e possibilidade de o caos se instalar. Este relato de imprevistos, imaginação e perigos, é inserido pela autora nos mundos intermédios, com mapa e deuses criados por si. A obra é a segunda a ser publicada na colecção Fixões e promete encantar o público juvenil à semelhança do que aconteceu com “Harry Potter” de J. K. Rowling. Poderá constituir um presente de Páscoa…

Nem as Mulheres são tão Complicadas Nem os Homens tão Simples


Escrito pela psicóloga clínica Maria Jesus Alava Reyes, com uma experiência de mais de 25 anos, o livro “Nem as Mulheres são tão Complicadas Nem os Homens tão Simples” poderá ajudar o leitor a definir ou apenas caracterizar a relação que mantém com o seu companheiro, principalmente no caso de se encontrar com dúvidas relativamente ao seu futuro. Nesta recente publicação da Esfera dos Livros, podemos encontrar pistas para identificar de imediato os primeiros sinais de alarme numa relação. Para além disso, a autora tentará descobrir se as razões dos problemas se devem à natureza das mulheres, por muitos referida como complicada, ou à dos homens. Serão estes assim tão simples e práticos como transparecem? E serão as mulheres que complicam problemas simples? A autora parte sempre de casos reais e deixa, na última parte da obra, um conjunto de tabelas de registo de conduta e técnicas de relaxamento muscular de grande interesse prático.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Massacres em África


Publicado recentemente pela Esfera dos Livros, “Massacres em África” da autoria da jornalista Felícia Cabrita, é, uma vez mais, o culminar de anos de trabalho de investigação. Foi desde a primeira vez que aterrou em Angola, em 1991, que se dedicou a calar o silêncio que insistia em esconder os massacres cometidos nas antigas colónias portuguesas durante o período do Estado Novo. Na década de 50, os massacres de Batepá, em São Tomé, marcam o início do seu relato. A jornalista conduz-nos depois até 1961, à chacina da UPA sobre os colonos portugueses. A luta na Guiné e o massacre de Wiriyamu, que tiraria a vida a centenas de moçambicanos, e ainda a história de Sita Valles, são igualmente alvo da investigação de Felícia Cabrita. Partindo muitas vezes de testemunhos recolhidos no local, onde as recordações das pessoas e os cheiros dos locais ajudam à reconstrução de cenários, passando por inúmeras horas de pesquisa de arquivo, a autora apresenta-nos o lado mais negro dos homens nunca perdendo de vista o seu objectivo diário, a descoberta da verdade como imperativo da consciência. Esta verdadeira história da violência em África é ainda enriquecida por um conjunto de documentos e imagens impressionantes.

Objectos Voadores e Outras Histórias de Indisciplina


Numa altura em que os episódios de indisciplina grassam pelas escolas portuguesas, esta publicação da editora Quarteto, integrada na colecção Educação Prática, assume-se de grande importância enquanto estímulo para a reflexão sobre o tema. Como reagir e lidar perante situações de indisciplina, faltas de educação, rebeldia, desinteresse e desmotivação? O caderno “Objectos Voadores e Outras Histórias de Indisciplina” parte de doze histórias exemplo criadas com o intuito de conduzir à sua análise e reflexão, relacionando teoria e prática, exercitando a resolução de casos problema, identificando causas, consequências e alternativas. Entre elas, encontram-se: objectos voadores, melindres, apetece-me comer algo, falta colectiva, troca de mimos, vias de facto, atrasos e grafittar. As autoras, Suzana Caldeira e Isabel Estrela Rego, criam, assim, um instrumento útil a qualquer formador de professores, ao futuro professor mas também ao professor em formação contínua e com permanente necessidade de discutir, analisar e trocar experiências.

1808


O autor, jornalista brasileiro Laurentino Gomes, apresenta-nos nesta obra editada pela Livros d’Hoje, das Publicações Dom Quixote, o resultado de dez anos de investigação jornalística sobre o êxodo da corte portuguesa, no início do séc. XIX, para o Brasil que, até então, não passava de uma mera colónia ultramarina. Com o continente europeu em alvoroço, devido aos avanços de Napoleão sobre vários estados, o autor explica como a situação foi, de forma algo caricata, contornada pelos Portugueses e, essencialmente, por D. João VI, um rei que nunca o quis ser. Em 1807, na iminência de uma invasão francesa, a corte prepara então a sua fuga para o Brasil, onde chegam em 1808. Nessa altura, em Portugal, forças portuguesas, com o auxílio das tropas britânicas, derrotam Napoleão na Batalha do Vimeiro. É neste cenário de guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão que se dá a mudança e instalação da corte portuguesa no Brasil. O autor relata assim, em “1808”, de forma bastante acessível e divertida, a história dos personagens reais de há duzentos anos atrás. Qualquer semelhança com alguns governantes actuais será (ou talvez não) pura coincidência.

Abraão – O Pai das Três Religiões


A Ministério dos Livros, marca registada das Edições Saída de Emergência, traz até nós a história reconstruída do fundador do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, as três principais religiões mundiais. Se, ao longo dos tempos, tantos conflitos têm tido a sua origem em preceitos religiosos, como lidar então com a ideia de o fundador de todas aquelas religiões ter sido a mesma figura? Como é evidente, a investigação de Bruce Feiler só poderia resultar numa obra intensamente discutida desde o momento da sua publicação. Tendo-se deslocado a regiões marcadas por conflitos inter-religiosos, o autor procurou traçar o papel importante de Abraão na união e separação de cerca de metade dos crentes do Mundo. Neste relato de busca, que culmina numa importante mensagem de esperança, são explorados os paralelos entre religiões e algumas das mais importantes questões emocionais do nosso tempo. O livro encontra-se organizado em várias unidades: os acontecimentos da vida de Abraão, o modo como as várias religiões têm interpretado a sua história e, finalmente, o seu legado, isto é, o papel que Abraão pode assumir nos dias de hoje. “Abraão” foi capa da revista Time, bestseller do New York Times e considerado um dos melhores livros de 2007.

Criaturas do Abismo


Numa edição de luxo da editora Esfera dos Livros, a obra “Criaturas do Abismo” revela-nos imagens quase secretas dos habitantes de um mundo misterioso e único, as profundezas do oceano. A autora, Claire Nouvian, é jornalista e realizadora de séries sobre a vida animal, em especial sobre investigação oceanográfica. Durante anos, reuniu todas as fotografias de criaturas marinhas recolhidas por robots que mergulham até 6000 metros de profundidade, escolhendo para esta publicação as mais espectaculares e algumas inéditas, que contemplam desde o vampiro dos abismos ao polvo-com-orelhas! Acompanhadas de textos explicativos sobre cada uma das espécies, as imagens deixarão o leitor sem fala quando for confrontado com a diversidade de criaturas que nem sonhamos que habitam o mesmo planeta que nós…

Três Semanas em Paris


A eterna cidade do amor e das luzes, Paris, serve de cenário a mais um romance de Barbara Taylor Bradford, uma das escritoras mais publicadas e traduzidas em todo o mundo e editada em Portugal pelas Publicações Europa-América. Mistério, segredos e muita paixão são os pontos fortes desta história que junta, sete anos passados sobre a separação, quatro mulheres que estudaram na mesma escola de artes da capital francesa. O pretexto é a festa de aniversário da sua antiga professora e mentora, Anya Sedgwick. O carinho e admiração por Anya faz com que as quatro ex-amigas, que a traição separara, aceitem o convite e se reencontrem. Paris verá, assim, acordar os fantasmas do passado de Alexandra, Kay, Jessica, Maria, as melhores e mais atormentadas alunas de artes de Anya durante a década de 90. “Três Semanas em Paris” mostra como apenas o regresso a lugares marcantes do passado poderá exorcisar e ajudar a ultrapassar assuntos que condicionam até o presente.

A Culpa dos McCann


Da autoria do jornalista Manuel Catarino, chefe de redacção do jornal Correio da Manhã, e com prefácio de Francisco Moita Flores, “A Culpa dos McCann” relata de forma clara e imparcial todos os passos da investigação sobre o desaparecimento de Maddie, um mistério real que apaixonou o país e o mundo. Não se trata de uma visão romantizada da situação, mas sim de uma verdadeira reportagem em prosa, transformando o livro num documento imprescindível para quando, mais tarde, se contruir, em definitivo, a história do desaparecimento de Maddie. Desde os seus últimos momentos em público ao inesperado regresso a Inglaterra de toda a família meses depois, passando por uma entrevista a José Manuel Anes, um dos mais respeitados criminalistas portugueses e especialistas em segurança, nenhum momento foi obliterado. De salientar ainda as muitas páginas dedicadas a fotografias dos momentos mais marcantes da presença da família McCann em Portugal, antes e depois do desaparecimento de Maddie. Editado recentemente pela editora Guerra e Paz, o jornalista confirma o poder da comunicação social em todo o mundo, assim como o conjunto de manobras, movimentações e conjecturas capazes de a fortalecer e manipular.

O Sétimo Selo


O quinto romance de José Rodrigues dos Santos, conhecido jornalista da RTP, vai já na 9.ª edição em apenas três meses. Para os seguidores da escrita deste autor, este é o regresso aos temas da actualidade. A preocupação com o planeta em que vivemos, a sobrevivência da humanidade, o abastecimento energético e o desenvolvimento sustentável constituem os principais catalisadores de uma história de mistério passada entre a Antárctida, a Sibéria, a Austrália e Portugal. Caberá novamente a Tomás Noronha investigar a morte de um cientista e o misterioso rabisco encontrado junto ao cadáver pelo criminoso onde se lia apenas o número 666, o número da besta. Esta obra, publicada pela Gradiva, resulta de uma investigação científica rigorosa levada a cabo pelo autor. Todas as informações históricas, técnicas e científicas referidas no romance são verdadeiras e estão actualizadas. “O Sétimo Selo” é uma obra valorosa pela trama mas, simultaneamente, pela função cívica que desempenha, podendo mesmo vir a abalar o modo como cada um de nós vê o futuro da humanidade e do próprio planeta Terra.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

O Cerco


“O Cerco”, da autoria da britânica Helen Dunmore, nomeado para os prémios Whitbread Novel Award e Orange Prize for Fiction, conta-nos uma história de guerra do ponto de vista do coração dos seus protagonistas, a família Ilyich. Durante a II Guerra Mundial, os alemães cercaram a cidade de Leninegrado, condenando muitos dos seus habitantes à morte devido à falta de comida, água, abastecimentos de energia. Assim, a população será conduzida a um torpor que contribuirá para a formação de uma nova mentalidade regida pela luta e pela sobrevivência. Por todos estes momentos de angústia, passará a heroína do romance, Anna, filha de Mikhail Ilyich, tradutor e escritor, que vê cada vez mais os seus trabalhos serem censurados devido às circunstâncias políticas. Após a morte da mãe, aquando do nascimento do irmão Kolya, Anna vê a sua vida mudar radicalmente, pois não poderá terminar os estudos para ir trabalhar para uma creche e tomar conta do irmão. De elogiar ainda a referência a vários poetas russos e a apresentação de vários trechos de poesia que retratam o país e ajudam a construir as personagens. “O Cerco” foi recentemente publicado pela editora Campo das Letras.

Maria, A Maior Educadora Da História


O autor, Augusto Cury, apresenta-nos neste livro a mulher mais famosa e, simultaneamente, enigmática, da história moderna, Maria, mãe de Jesus. Em “Maria, A Maior Educadora da História”, encontramos a visão do autor em termos de psicologia, psiquiatria e pedagogia quanto aos ensinamentos que terá passado a Jesus. Sendo a educação de Jesus um assunto delicado e de extrema importância para a Humanidade, é intrigante o facto de não ter sido educado por intelectuais ou especialistas em filosofia, mas sim por Maria, uma mulher em tudo igual às outras mas a única elogiada na Bíblia e no Alcorão. Em termos de personalidade, pouco sabemos sobre Maria. No entanto, o autor procura avaliá-la partindo dos dez princípios que utilizou na educação de Jesus. O livro é uma investigação com resultados surpreendentes. Aqui, somos obrigados a reconhecer que os princípios seguidos por Maria na educação de Jesus poderão constituir uma mais-valia para toda a educação, em termos intemporais. Nesta obra dos Livros d’Hoje, poderemos reencontrar a importância da intuição, do servir a sociedade, a protecção da emoção, da ambição interior, da contemplação da natureza, da inteligência e disciplina na construção de um projecto de vida.

O Ataque à Razão


Publicado pela Esfera do Caos, “O Ataque à Razão”, da autoria de Al Gore, Prémio Nobel da Paz 2007, avalia o passado, o presente e o futuro da democracia e do debate democrático. Cada vez mais condicionados e limitados pelos meios de comunicação, os cidadãos são impedidos de participar no debate político. Aproveitando para criticar e deitar por terra a actuação de Bush, o autor torna claro como algumas forças estão a agir contra nós e sobre a nossa capacidade de raciocinar. A comunicação, politicamente falando, processa-se apenas num sentido, em termos de retórica visual e linguagem corporal, enquanto a lógica e a razão deixam de ter lugar. Este livro constitui um passo além depois de “Uma Verdade Inconveniente”, passando do alerta quanto às alterações climáticas para um manifesto em linguagem clara e pensamento lúcido baseado na experiência da sua vida política e no trabalho de especialistas. O alerta de Al Gore é premente, pois não nos resta muito mais tempo para desperdiçar em apatias. É tempo de agir contra os meios utilizados, de momento, pela democracia. É necessário apurar verdades e raciocinar objectivamente.

O Livro Negro do Capitalismo


Organizado por Gilles Perrault, “O Livro Negro do Capitalismo”, publicado pela editora Campo das Letras, reúne artigos de historiadores, sociólogos, economistas, escritores e sindicalistas como Philippe Paraire, Roger Bordier, Claude Willard, Jean Pierre Fléchard, François Derivery, Jacques Jurquet, Robert Pac ou Agostinho Lopes sobre o modelo económico, ideológico e político que, ao longo da história, tanta injustiça discriminação e desigualdade social produziu. São histórias de escravidão, repressão, tortura, violência, roubo de terras e recursos naturais, criação e divisão artificial de países, imposição de ditaduras, embargos económicos, destruição de modos de vida dos povos e das culturas tradicionais, devastação ambiental, desastres ecológicos, fome e miséria. Organizados cronologicamente, os textos curtos e de fácil leitura transmitem, por vezes, a angústia pessoal dos autores. A solução para o problema ainda está por encontrar, uma vez que a nossa capacidade de resistir é a cada dia mais fraca. A esperança reside nas mãos dos que conseguem resistir ao capitalismo e que, um dia, unidos, salvarão o mundo.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Nuvens Entre As Estrelas


Autora de vários romances bastante aplaudidos, a britânica Victoria Clayton chega até nós pelas Publicações Europa-América com a obra “Nuvens Entre As Estrelas”. Trata-se de uma história construída e narrada de forma interessante e bonita. Conta-se acerca da excêntrica família Byng, em que os pais, actores clássicos, fazem da vida o palco do seu drama permanente, no qual rodopiam os cinco igualmente belos e afectados filhos. De todos, Harriet, pela voz da qual a história é contada, assume-se como a mais sensata e equilibrada, a única capaz de manter o discernimento aquando da prisão do seu pai, acusado da morte de um rival durante o ensaio de uma peça. Esta verdadeira comédia de costumes, moderna e inteligente, deve ser lida ao quente da lareira durante estes frios dias de Inverno. Simultaneamente trágica e hilariante, as referências a Shakespeare são pertinentes e enriquecem a narrativa. Quanto às personagens, é fácil sentir empatia e até simpatia para com elas e até para com as suas falhas. Este é um livro adorável que enche os corações com a sua história bonita.

Terra de Dragões


Destinado ao público mais jovem, esta inédita aventura, da autoria de James Owen, um novo talento no campo da literatura juvenil, assume-se como mais uma boa aposta da Dom Quixote. A morte de um professor de Oxford juntará três estranhos, John, Jack e Charles, numa londrina noite de chuva durante a I Guerra Mundial. O excêntrico Bert confia-lhes o grande atlas Imaginarium Geographica, com todas as terras conhecidas, desde as míticas às lendárias e, inclusive, as fabuladas. Pela “Terra de Dragões”, os aventureiros podem viajar apenas no navio O Dragão Índigo. Os companheiros deixam, então, o porto de Londres e, perseguidos por criaturas estranhas e aterradoras, percorrem um mundo imaginário, aprendendo a superar os seus medos e a confiar uns nos outros. Só assim conseguem derrotar as forças do mal que ameaçam o destino do mundo real e do mundo imaginário. Esta história repleta de pistas, magia e mistério, conduzirá os jovens leitores a uma surpreendente revelação final!

Saberes de Sabor Herdado


Da autoria de Joaquim António Janeiro, “Saberes de Sabor Herdado”, uma referência entre os manuais da cozinha tradicional, foi recentemente distinguido com o Prémio Gourmand World Cookbook Awards 2007 em Portugal, na categoria de melhor livro de culinária para profissionais. Editado pelas Edições CETOP (Centro de Ensino Técnico e Profissional à Distância, Lda.), esta obra póstuma reúne histórias, curiosidades e receitas que compõem o património cultural da nossa gastronomia. São mais de duzentas receitas, entre sopas, saladas, pratos de massa, ovos, peixe, carne e sobremesas que ilustram a riqueza ímpar da cozinha portuguesa. Em notas introdutórias, o autor faz ainda referência à importante arte de conviver à mesa e também aos temperos adequados aos diversos tipos de alimentos. São ainda dados importantes conselhos relativamente à arte de bem apresentar o cozinhado em prato, travessa ou outros, assim como apontamentos úteis a todos os que almejam ter um bom desempenho nas lides da culinária.